Meteorologistas confirmam tornado em Reserva, na região dos Campos Gerais do Paraná
01/07/2026
(Foto: Reprodução) Reserva (PR) é atingida por tornado F2, confirmam meteorologistas
Meteorologistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmaram que Reserva, cidade dos Campos Gerais do estado que fica a cerca de 220 km da capital Curitiba, foi atingida por um tornado no domingo (28).
O fenômeno foi classificado na Escala Fujita como F2, quando os ventos alcançam entre 116 km/h e 180 km/h e os danos são moderados. Entenda a classificação mais abaixo.
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No dia, fortes rajadas de vento, granizo e chuvas fortes atingiram várias regiões do estado. Por volta das 23h, na localidade de Imbu, zona rural de Reserva, pelo menos 11 casas tiveram danos significativos, de acordo com a prefeitura.
Ao menos 50 pessoas foram afetadas, das quais dez estão desalojadas. A vegetação ao redor e também veículos de moradores também foram danificados pela força do vento e do granizo.
As análises começaram na segunda-feira (29) e, nesta quarta (1), meteorologistas e técnicos do Simepar foram, ao lado de servidores da Defesa Civil Estadual, fazer um mapeamento aéreo da comunidade de Imbu para analisar a situação.
Eles conversaram pessoalmente com os moradores da região para entender como se comportou a tempestade e analisaram visualmente os danos que estudaram por meio de fotos e vídeos.
A equipe de geointeligência realizou sobrevoo na região com um drone com um sensor capaz de mapear toda a área atingida.
Simepar analisa se tornado atingiu Reserva (PR) no domingo
Prefeitura de Reserva
Classificação dos tornados
Existem duas formas principais de classificar tornados, a Escala Fujita (F) e a Escala Fujita Aprimorada (EF).
No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente, e o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados - quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno.
Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas, galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no local por, pelo menos, três segundos.
A partir dessa estimativa, o tornado recebe uma classificação. Veja abaixo:
Tornado F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves;
Tornado F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados;
Tornado F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis;
Tornado F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos;
Tornado F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores;
Tornado F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h — destruição extrema.
Histórico de tornados no Paraná
No fim de 2025 e começo de 2026, em um período de três meses, cinco tornados foram registrados no Paraná.
Os fenômenos foram registrados em Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava, Turvo, Mercedes e São José dos Pinhais.
No começo de novembro de 2025, na região central do Paraná, Rio Bonito do Iguaçu teve 90% dos imóveis destruídos durante um tornado de categoria F3 na escala Fujita, que vai até cinco, com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h.
No mesmo dia, Guarapuava e Turvo, que ficam a 130 km e a 166 km de Rio Bonito do Iguaçu, também registraram estragos significativos. Nelas, os tornados foram classificados como F2, com ventos entre 200 km/h e 250 km/h.
No dia 2 de janeiro, um tornado com ventos de até 120 km/h foi registrado em Mercedes, no oeste do Paraná. O fenômeno foi classificado como F1.
Em São José dos Pinhais, o tornado também recebeu a classificação de intensidade como F2 na Escala Fujita. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de 1 km, não tocando o tempo todo no chão.
Tornado São Jose dos Pinhais
Reprodução
Paraná está no 2º maior corredor de tornados do mundo
O Paraná está localizado em uma das regiões mais propensas à formação de tornados no planeta, segundo especialistas em climatologia. O estado ocupa o segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas das chamadas "pradarias centrais" dos Estados Unidos, que têm como característica relevo plano e áreas de baixas altitudes.
O fenômeno que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no dia 7 de novembro de 2025, é um exemplo de como a combinação entre massas de ar quente e frio torna o território paranaense mais vulnerável.
A especialista em tornados, Karin Linete Hornes, professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que a área propensa a tornados engloba também os outros estados da região Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e partes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia.
"Nós temos sistemas convectivos de média escala que se formam lá no Paraguai, nós temos entradas de frentes frias, muitas vezes que estão associadas também a ciclones que acontecem principalmente no litoral do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de tornados. Claro que, além de tornados, nós também temos vendavais e chuva de granizo, que estão associados a esses eventos de tempestade severa", detalha Hornes.
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