Justiça vai ouvir caminhoneiro e dono de transportadora 3 anos depois de engavetamento entre 19 veículos que matou professora e filho no Paraná

  • 27/05/2026
(Foto: Reprodução)
Pai e avô de vítimas de engavetamento entre 19 veículos fala sobre julgamento após 3 anos O caminhoneiro Tiago Arthur Bueno e o dono da transportadora Rodoposser, Edelar Julio Posser, serão ouvidos pela Justiça mais de 3 anos depois do engavetamento envolvendo 19 veículos que matou a professora Vanessa Kubaski Maciel, de 37 anos, e o filho dela, Pedro Henrique Maciel Jorge, de 7 anos. Uma nova audiência de instrução e julgamento sobre o caso está agendada para a tarde desta quarta-feira (27). Os dois respondem criminalmente porque a denúncia aponta que o motorista estava em velocidade incompatível com a via e sabia que o caminhão estava sem manutenção – serviço, esse, que era de responsabilidade da transportadora de Edelar, que, para o MP, "assentiu que o veículo rodasse nas condições em que estava". O acidente aconteceu na noite de 6 de abril de 2023, no km 505 da BR-376, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, e também deixou duas pessoas feridas. Relembre detalhes mais abaixo. ✅ Siga o g1 Ponta Grossa no WhatsApp Vanessa Kubaski Maciel tinha 37 anos e o filho dela, Pedro Henrique Maciel Jorge, 7 Cedida pela família/PRF O laudo pericial sobre o caso levou 3 meses para ficar pronto e o caso vem se arrastando na Justiça desde 2024, quando Tiago e Edelar se tornaram réus por homicídio simples e qualificado contra menor de 14 anos e lesões corporais simples e de natureza grave. A expectativa era de que o julgamento terminasse por volta de abril de 2025, quando já era esperado que os réus fossem interrogados. No entanto, segundo o advogado da família de Vanessa, Fernando Madureira, uma das testemunhas faltou e o juiz decidiu marcar uma nova audiência. Ela foi agendada para julho de 2025, mas remarcada novamente, "por uma questão técnica, para decidir sobre a competência do juízo", segundo o advogado Madureira. Agora, a expectativa é que nesta quarta-feira (27) a testemunha que faltou anteriormente seja ouvida para que, na sequência, os réus sejam interrogados. Depois, as partes têm 5 dias para apresentarem as alegações finais e, na sequência, o juiz tem 10 dias para decidir se os réus devem ser levados a júri popular, ou se já receberão uma sentença. Para Lauro Costa Maciel, pai de Vanessa e avô de Pedro Henrique, a demora no julgamento é motivo de uma dor a mais no luto. "Todo dia o vazio somente aumenta, porque são três anos, um mês e alguns dias que eu estou sem a minha primeira filha, a mais velha - a Vanessa - e sem o meu primeiro neto. E os perdi 'bestamente', uma situação que foi criada, não um acidente. É difícil. [...] O vazio continua… o corpo dela não está mais aqui, mas ela vive no meu coração. Os dois vivem, e é isso está me mantendo em pé, é isso que está me mantendo vivo", disse ele nesta quarta-feira. O g1 procurou as defesas de Tiago e Edelar e aguarda as respostas. Anteriormente, a Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR), que atua na defesa do caminhoneiro Tiago Artur Bueno, optou por se manifestar somente nos autos. A instituição informou que atuaria "para garantir ao réu o direito ao contraditório e ampla defesa, para que se assegure o devido processo legal, conforme determina a Constituição Federal". Rubens J. de Souza Jr., advogado que representa o empresário Edelar Julio Posser, disse no ano passado que a empresa Rodoposser se solidariza com o sofrimento da família e que "o laudo oficial veio comprovar que não é possível demonstrar que possíveis avarias no veículo foram o que ocasionou o acidente. Outros elementos podem ter contribuído, como condições da pista e má sinalização da rodovia". Engavetamento envolveu 19 veículos RPC Leia também: Acidente: Caminhoneiro provoca capotamento de carro ao tentar ultrapassá-lo e bater na lateral dele; motorista ficou ferida Política: Projeto de lei propõe que vereadores recebam o salário mínimo em Câmara 20 metros de altura: Jovem sobe em araucária para colher pinhão, fica preso no topo por mais de duas horas e meia e é resgatado por bombeiros Caminhoneiro está preso por outro crime O caminhoneiro Tiago Arthur Bueno vai ser interrogado por videochamada, direto de uma penitenciária de São Paulo, onde está preso por outro crime. O g1 teve acesso a um documento que aponta que ele é réu por transportar mais de 1,8 tonelada de maconha em um caminhão, do Paraná para São Paulo. O flagrante aconteceu em 5 de novembro de 2025 em um posto de combustíveis na margem da rodovia SP-270, em Cândido Mota (SP). "O veículo foi localizado no pátio do posto, e o réu, que estava do lado de fora, tentou se afastar ao notar a presença policial, mas foi abordado. Inicialmente, o acusado alegou que o caminhão estava vazio, depois mudou a versão para transporte de aparas de madeira. No entanto, quando os policiais iniciaram a vistoria da carga, Tiago confessou que transportava maconha. [...] Ainda segundo a denúncia, o réu confessou informalmente aos policiais que pegou a carreta já carregada com a droga em Foz do Iguaçu (PR) e a levaria para Cotia (SP)", descreveu o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Ele está detido desde então. Em março de 2026, o homem foi condenado a um total de 5 anos e 10 meses de reclusão. Relembre o acidente na BR-376 Engavetamento envolveu 19 veículos RPC Em relação ao acidente que vitimou a professora e o filho dela em Ponta Grossa, em abril de 2023, a PRF explicou que houve um primeiro acidente na rodovia entre um carro e um caminhão, onde ninguém ficou ferido. Porém, por conta do atendimento à ocorrência, um congestionamento se formou. No fim da fila, o caminhão dirigido por Tiago, sem freios, não conseguiu parar a tempo. Segundo a polícia, ele estava carregado com 38 toneladas de soja. Para não acertar outra carreta após um trecho de descida, ele mudou para a faixa ao lado e atingiu o carro onde estavam Vanessa e o filho dela. O veículo das vítimas foi lançado contra outros e também bateu em caminhões. Ao todo, 19 veículos se envolveram no engavetamento. Na mesma noite, o motorista fez teste do bafômetro, com resultado negativo para ingestão de álcool. Porém, ele foi preso em flagrante por homicídio e lesão corporal culposos após a polícia identificar problemas de manutenção no caminhão. No dia seguinte, na audiência de custódia, foi arbitrada fiança e desde então o homem aguardava o julgamento em liberdade - até ser preso pelo crime de tráfico de drogas, em SP. O que diz a investigação O laudo pericial do acidente que indica que o caminhão que atingiu o veículo das vítimas estava com problemas de manutenção foi finalizado em julho de 2023. Ele também cita que a reação ineficaz do motorista do caminhão foi fator determinante do acidente e que não foram encontradas, no local do engavetamento, marcas de frenagem compatíveis com o caminhão e com os reboques. Para o MP, o motorista e o empresário assumiram o risco do acidente. "O denunciado Tiago conduzia o caminhão em velocidade incompatível com as condições apresentadas na via, pois era de noite e chovia. Além disso, os sistemas de freios do trator e dos semirreboques estavam ineficientes para frenagem, os pneus estavam desgastados e o cronotacógrafo estava inoperante, circunstâncias que foram determinantes para a ocorrência do resultado morte e que eram de conhecimento de ambos os denunciados ", diz a denúncia. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Veja mais notícias da região em g1 Campos Gerais e Sul

FONTE: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2026/05/27/justica-vai-ouvir-caminhoneiro-e-dono-de-transportadora-3-anos-depois-de-engavetamento-entre-19-veiculos-que-matou-professora-e-filho-no-parana.ghtml


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