Júri absolve empresário acusado pela morte de trabalhador sem-terra há 28 anos no Paraná

  • 30/05/2026
(Foto: Reprodução)
Júri absolve empresário pela morte de trabalhador sem-terra O Tribunal do Júri de Curitiba absolveu, na madrugada de sexta-feira (29), o empresário rural Marcos Menezes Prochet da acusação de matar o trabalhador sem-terra Sebastião Camargo Filho. O crime ocorreu em 1998, durante uma desocupação ilegal na Fazenda Boa Sorte, em Marilena, no Noroeste do Paraná. Sebastião Camargo tinha 65 anos quando foi morto com um tiro na cabeça durante a retirada de cerca de 300 famílias da Fazenda Boa Sorte. Na época, a área havia sido considerada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e estava em processo de desapropriação para reforma agrária. ✅ Siga o g1 Maringá e Região no WhatsApp O processo tem duração de quase três décadas. Prochet havia sido condenado em três julgamentos anteriores, realizados em 2013, 2016 e 2021. Todas as condenações, no entanto, foram anuladas após recursos apresentados pela defesa. Camargo foi morto em 7 de fevereiro de 1998, em um conflito na Fazenda Boa Sorte, em Marilena, no noroeste do Paraná RPC/Arquivo Neste novo julgamento, os jurados concluíram que não foi Prochet o autor do disparo que matou Sebastião Camargo. O Ministério Público do Paraná informou que avalia a possibilidade de recorrer da decisão. Defesa apresentou nova testemunha Durante o julgamento, a defesa apresentou uma nova testemunha. Jair Firmino, conhecido como "Borracha", assumiu a autoria do crime e afirmou que o disparo teria sido um acidente. Familiares acompanharam o julgamento e criticaram o resultado. Filho da vítima, Messias Camargo disse que a absolvição prolonga uma dor que acompanha a família há quase 30 anos. “Eles falam tanto em família, mas e a minha família? Meu pai foi morto e não pôde ver os filhos crescerem nem conhecer os netos. É uma dor que carregamos há muito tempo”, afirmou. A defesa de Marcos Menezes Prochê afirmou que a absolvição reconhece, mesmo que de forma tardia, uma profunda injustiça. Movimentos ligados à reforma agrária também manifestaram indignação com a decisão. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmaram que o caso simboliza a dificuldade de responsabilização por crimes cometidos em conflitos no campo. A organização Terra de Direitos, que atuou como assistente de acusação no processo, informou que pretende buscar novas medidas em instâncias internacionais para discutir o caso. Apesar da absolvição, a área onde ocorreu o conflito foi transformada em assentamentos rurais. Atualmente, os assentamentos Santo Ângelo e Sebastião Camargo abrigam centenas de famílias que produzem alimentos na região noroeste do Paraná. Leia também: Entenda: Como montagem com Bolsonaro agredindo jogador Gustavo Gómez causou confusão na fronteira Demitido: Estagiário do MP-PR que ofereceu defesa a acusado pode responder por três crimes Resgatado: Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida é resgatado VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Oeste e Sudoeste.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/05/30/juri-absolve-empresario-acusado-pela-morte-de-trabalhador-sem-terra.ghtml


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